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A agricultura portuguesa está mesmo mais produtiva?

1 Julho, 2026Nuno Ramos MADDE

A produtividade do trabalho agrícola aumentou 168,8%, mas o setor deu um contributo negativo para a economia nacional. Como se explica?

A pergunta

Sabia que, nos últimos 30 anos (1994-2024), a produtividade da mão-de-obra agrícola aumentou 168,8%, mas a produtividade dos consumos intermédios diminuiu 37,2%, daqui resultando um contributo negativo para a economia nacional?

Resposta curta

Sim. A produtividade do trabalho agrícola aumentou de forma muito significativa nas últimas três décadas, mas esse ganho resultou sobretudo da redução da mão-de-obra agrícola. Ao mesmo tempo, os consumos intermédios cresceram mais depressa do que a produção, levando a uma diminuição da produtividade desses fatores e a um contributo negativo do setor para a economia nacional.

Os números

Nos últimos 30 anos (1994-2024):

  • redução de mão-de-obra à taxa de -2,5%/ano;
  • crescimento de volume da produção à taxa de +0,9%/ano;
  • produtividade do trabalho aumentou 168,8% (+3,4%/ano);
  • crescimento dos consumos intermédios por hectare de superfície agrícola cultivada à taxa de +4,3%/ano;
  • crescimento do volume da produção agrícola por hectare de superfície cultivada à taxa de +2,5%/ano;
  • produtividade da terra aumentou à taxa de 2,5%/ano;
  • produtividade dos consumos intermédios diminuiu 37,2% (-1,5%/ano).

Fundamentação

A produtividade do sector agrícola pode ser medida com base em diferentes indicadores, sendo o da produtividade parcial do trabalho o mais usualmente utilizado.

Durante os últimos 30 anos (“1984”-“2024”), a produtividade do trabalho medida pela relação entre o volume da produção agrícola e o número total de UTA (Unidades de Trabalho Ano), aumentou 168,8%, o que corresponde a um crescimento médio anual de +3,4%/ano. É de realçar que estes ganhos de produtividade resultaram predominantemente da redução do volume de mão-de-obra agrícola (-2,5%/ano), já que o volume da produção agrícola cresceu, apenas, +0,9%/ano nas 3 décadas em causa.

Por seu lado, a produtividade parcial dos fatores intermédios, medida pela relação entre o volume da produção agrícola e o volume dos bens intermédios utilizados, decresceu, entre os triénios “1994” e “2024”, 37,2% (-1,5%/ano), o que foi consequência de um crescimento de 248,5% (+4,3%/ano) dos consumos dos bens intermédios por hectare de superfície agrícola cultivada, muito superior ao aumento de 109,5% (+2,5%/ano) do volume da produção agrícola por hectare de superfície cultivada.

Em consequência destas evoluções tão diferentes verificadas para o volume da produção agrícola e o valor dos bens intermédios agrícolas, nos últimos 30 anos, o produto agrícola bruto em volume, medido pelo valor acrescentado bruto a preços no produtor constantes, decresceu entre “1994” e “2024” a uma taxa de crescimento média anual de -0,9%/ano.

Pode-se assim concluir que nas 3 últimas décadas, o setor agrícola português, apesar de apresentar ganhos de produtividade do trabalho muito significativos (+3,4%/ano), teve uma contribuição negativa (-0,9%/ano) para o crescimento da economia nacional, conclusão esta que quase sempre é ignorada nas análises sobre a evolução do setor agrícola português nos últimos 30 anos.

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