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Exportar mais tornou-nos mais dependentes para comer?

15 Julho, 2026Nuno Ramos MADDE

Têm sido bastante significativos os crescimentos alcançados nas últimas décadas pelas exportações de produtos agrícolas. Como é que tais crescimentos se explicam no contexto de um reduzido crescimento da produção agrícola nacional?

A pergunta

Como se enquadram os crescimentos alcançados pelas exportações de produtos agrícolas nas últimas décadas no reduzido crescimento da produção agrícola nacional?

Resposta curta

Não. Embora o valor das exportações agrícolas tenha crescido muito mais depressa do que o da produção nacional, a produção destinada ao consumo interno também aumentou de forma expressiva. Por isso, o peso das importações naquilo que consumimos manteve-se praticamente estável, à volta de 33%. Exportar mais não significou passar a depender mais do exterior para nos alimentarmos.

Os números

  • crescimento do valor das exportações de produtos agrícolas: + 8,9%/ano (preços correntes nominais)
  • crescimento do valor da produção agrícola: +5,7%/ano (preços correntes nominais)
  • crescimento do valor da produção agrícola destinada ao consumo interno: +4,1%/ano (preços correntes nominais)
  • peso das exportações no valor da produção agrícola: passou de 11,5% (2011) para 15,9% (2022).

Fundamentação

O valor a preços correntes nominais das exportações de produtos agrícolas cresceu de forma significativa na última década, tendo atingido uma taxa média de crescimento de +8,9%/ano, a qual foi bastante superior ao ritmo de crescimento do valor a preços correntes nominais do total da produção agrícola (+5,7%/ano).

Este diferencial tem levado a que alguns analistas surgiram que esta aposta nas exportações põe em risco a segurança alimentar nacional por aumentar a dependência externa do consumo de bens alimentares.

Os dados disponíveis permitem-nos, no entanto, concluir que a evolução verificada para o valor a preços correntes da produção agrícola destinada para o consumo interno (+4,1%/ ano) foi suficiente para que o peso das importações no consumo aparente total se tenha mantido praticamente constante, cerca de 33% durante o período de “2011”-“2022”, apesar do aumento verificado para o peso das exportações no valor da produção agrícola ter crescido de 11,5 para 15,9% ao longo do período em causa.

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