Já passaram quase 10 anos desde que iniciei, como coordenador, a preparação da componente agrícola do Roteiro de Neutralidade Carbónica (RNC2050), de que foi responsável a equipa da AGROGES.
Nesse contexto, foi considerado de importância decisiva a futura expansão da agricultura regenerativa em Portugal, dada a sua capacidade para contribuir, simultaneamente, para a redução das emissões de GEE e para o sequestro de CO2.
Ao longo do processo de discussão publica do relatório por nós elaborado (ver) tornou- se evidente o quase total desconhecimento deste conceito por parte, quer de técnicos, quer de produtores agrícolas, razão pela qual se optou nos textos subsequentes associar sempre o termo agricultura de conservação ao de agricultura regenerativa, como a melhor forma de tornar este último melhor compreendido.
A relevância dos elementos base em que assenta o conceito de agricultura regenerativa tinham-se tornado para mim indiscutíveis da leitura dos trabalhos desenvolvidos pelo meu colega e amigo Professor Mário de Carvalho e, principalmente, no decorrer da elaboração, em co-autoria com ele, de um artigo publicado em 2015 pela Revista CULTIVAR intitulado “A Importância da Gestão Sustentável do Solo para o Crescimento da Agricultura Portuguesa” (ver).
Mais tarde, no contexto dos trabalhos de análise das propostas de Reforma da PAC pós- 2020, publiquei um artigo intitulado “Os pagamentos eco- regime: uma medida de política fundamental para a viabilidade e sustentabilidade futuras das explorações agrícolas portuguesas” (ver) , no qual procurei fundamentar a ideia de que as verbas disponíveis para financiar a totalidade dos eco-regimes deveriam ser prioritariamente orientadas para incentivar a expansão dos sistemas de agricultura regenerativa em geral e dos prados e pastagens melhoradores em particular.
Estas minhas tomadas de posição sobre a importância futura da agricultura regenerativa em Portugal não tiveram, na altura, qualquer eco no tecido técnico e empresarial agrícola nacional, situação esta que, no entanto, se tem vindo a alterar mais recentemente.
Por estes motivos, não posso deixar de me sentir particularmente satisfeito pela crescente importância que, nestes últimos tempos, a temática da AGRICULTURA REGENERATIVA tem vindo a assumir entre nós e ao enorme prazer em poder acompanhar o evento TERRA26 – Enraizados no futuro, que em tão boa hora o Eng.º João Coimbra teve a iniciativa de promover e a cuja realização a AGROGES se decidiu associar..
Francisco Avillez
